terça-feira, 20 de janeiro de 2015

RESENHA - FEÉRICA

"De fato, Violet era a fada mais humana que já haviam visto."

Feérica
Autor: Carolina Munhóz
Editora: Fantasy - Casa da Palavra
Páginas: 352
Ano: 2013

Sinopse: E se uma fada se revelasse em um reality show? Violet Lashian tem apenas um objetivo: ser famosa em seu mundo. Mas quem nunca se seduziu por esse pensamento? Ignorada pelas fadas de uma sociedade que preza a padronização, a jovem de cabelos roxos decide abandonar seu sofrimento em busca de um lugar entre as estrelas de Hollywood. Bastidores de reality shows. Festas badaladas. Encontros amorosos com jovens milionários. Entrevistas em rede mundial. Fama instantânea, dinheiro e poder. De repente, a feérica se vê cercada pela realidade com que sempre sonhou. Mas será que Violet é capaz de manter a pureza de sua raça mágica em um mundo corrompido pelo deslumbre material? E quais seriam as reais consequências de sua revelação para a existência oculta de seu povo? Você descobrirá tudo isso e muito mais nos próximos capítulos deste livro.

Violet Lashian é uma fada “diferente” e incompreendida, após uma série de descontentamentos tem a oportunidade de partir de seu mundo, Abhlack, para a dimensão terrestre. Já por aqui passa por experiências incríveis como uma criança em fase de descobertas e admiração. Em meio a sua fascinação, participa de um reality show onde se revela para os humanos, e é aí que história começa.   

A Fada conta sua história em um Talk Show, não em primeira pessoa e sim em terceira, como alguém que está assistindo a um filme, transformando os acontecimentos de sua vida em cenas que não necessariamente são do seu dia-a-dia. As cenas são importantes para que ocorra a história, e só em alguns instantes existe uma falta de conexão entre estas. 

Um chick-lit atual fundido com fantasia, uma amálgama interessante, porém não devidamente explorada em Feérica. Não que faltem informações que envolvam os estilos, mas também não houve um aprofundamento descritivo, aspecto já fundamentado no mundo fantástico. No entanto, creio que esta questão é uma deficiência do estilo chick-lit, quase sempre superficial.

A ambientação se da em Los Angeles e por ser um local existente penso que este foi o fator que contribuiu para a escassez de descrição. O problema está nas sensações e sentimentos, pois foram prejudicados, implicando nos valores e envolvimento do leitor com a obra.

Assim ocorre com o romance, previsível, e nitidamente sem sua dose reforçada de açúcar. Se este tempero tivesse sido concentrado, com certeza faria muitas moças suspirarem, já que o par de Violet tinha características para tanto.

A obra é voltada ao público feminino, fato. Principalmente quando o assunto se refere ao figurino da personagem, sempre bem detalhado, inclusive com citação de marcas, Violet é a cara da riqueza.

Mas nem tudo neste mundo se resume a sucesso e magia, Feérica toca em assuntos importantes do universo juvenil como, por exemplo, a discriminação, o bulling e o consumismo exagerado.  E com tantas referências ao show business, rolaram críticas sobre a vida vazia, interesses e como o sucesso pode subir à cabeça. A protagonista vive esse mundo e mostra uma crise de identidade.   

As referências não se restringem somente as celebridades e grifes, ao contrário, as melhores referências são as nerds, e o que deixou interessante foi o fato de não ser necessário que os nomes das obras literárias fossem explicitamente revelados, quem lê muita fantasia com certeza acertará facilmente.
Há referências também nos nomes dos capítulos, cada um retirado de uma série televisiva, e em meio a toda confusão provocada pela Fada se encontra uma menção ao livro de Raphael Draccon, Fios de Prata, Madeleine e as musas de seu livro.

A escrita é moderna, o vocabulário atual e com o uso de algumas gírias, tornando a leitura contemporânea e rápida, entretanto o uso repetitivo de um termo, como Feérico por vezes causa incomodo, mas nada que progrida para insatisfação.

As frases tem uma construção prática e rápida, e em alguns momentos toda a informação de determinada cena está descrita em um único parágrafo.
Por não ter tanto embasamento em suas obras anteriores não posso afirmar que as frases de impacto fazem parte do estilo Carolina de escrever, mas posso apontar que neste livro teve um excesso.   

Feérica é descolado e engraçado com um ar alto astral. Os momentos da entrevista da fada são cheios de tiradas divertidas e espontâneas.

Visualizando pela ótica dos assuntos abordados e por sua modernidade talvez a obra case melhor com os leitores juvenis. E pelo ângulo do entretenimento e divertimento não há idade para aproveita-lo. 

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