terça-feira, 6 de agosto de 2013

Resenha - Insurgente

"Ele nunca me ensinou que eles não julgam as crenças das pessoas, mas que projetam coisas que se encaixam nessas crenças." 

Insurgente
Autor: Veronica Roth
Editora: Rocco
Páginas: 512
Ano: 2013

Sinopse: 
Na Chicago futurista criada por Veronica Roth em Divergente, as facções estão desmoronando. E Beatrice Prior tem que arcar com as consequências de suas escolhas. Em Insurgente, a jovem Tris tenta salvar aqueles que ama - e a própria vida – enquanto lida com questões como mágoa e perdão, identidade e lealdade, política e amor. 


Pausa. Dava pra enxergar as moléculas de pó suspensas no ar e a gota de suor na têmpora de Tris, prestes a cair. Como se o tempo tivesse sido congelado um instante antes de eu pegar a continuação de Divergente para ler.
Assim começou Insurgente, exatamente do ponto onde havia terminado seu antecessor, em meio ao turbilhão de informações e expectativa.
Uma jogada perigosa de Veronica, pois quem não lê a continuação logo na sequência pode demorar a se situar, já que não existem os cansativos “remembers” tão vistos nas sagas.  

Insurgente sem sombra de dúvida superou Divergente. Uma vez que a história já foi introduzida e estabilizada, este pôde focar sem medo nos momentos de ação, tensão, intrigas e descobertas.
Uma leitura para explodir de adrenalina. E ainda assim o livro não se transformou em “Rambo”, ele é extremamente racional e calculista, com uma trama inteligente.

Quando obras do mesmo gênero se destacam no mercado a comparação é inevitável, e não que isso seja um problema, desde que não aconteçam ataques ofensivos por parte de seus fãs. E como já devem ter adivinhado, Jogos Vorazes foi o livro destacado para a concorrência. Sim, estas distopias possuem alguns fatores em comum, porém as diferenças entre as sagas falam mais alto. E o ponto essencial é a política.

Divergente mostra uma sociedade baseada em estamentos designados por escolhas pessoais, onde o poder e organização se encontravam nas mãos do povo. Aparentemente uma sociedade estável, porém quando acontece uma ruptura na malha governamental suas falhas e fragilidades ficam evidentes.
Os Golpes de Estado começam a surgir e a inteligência tática a agir, as manobras são engenhosas e o leitor precisa acompanhar o raciocínio para que a leitura não seja de um simples romance com ação e sim um livro onde se possam destacar aprendizados, reflexões, argumentos e uma releitura da história política/social de seu próprio país.

Verônica Roth progrediu no quesito descrição, antes tão ríspidas e funcionais, agora soam mais pessoais, com direito até à críticas sobre o comportamento alheio. As cenas são expostas com primor e na dose correta, sem dificuldade somos inseridos em meio aos tiros e a correria.

Mesmo transbordando movimentação existem diversos períodos que a personagem se vê sozinha com seus pensamentos e indagações e são esses momentos que não se fazem pertinentes à trama, já que a narração em primeira pessoa não permite a adivinhação, somente especulações infundadas por meio da observação.

A personagem sempre forte e marcante nessa sequência está em conflito com suas atitudes. Além de ser um empecilho para a história, se transforma em um problema com seu par romântico, Tobias. Percalços vão assolar este casal, e muitas vezes são dificuldades impostas por eles mesmos e aparentemente sem motivos.
Espero que estas cenas façam parte do algo maior, caso contrário, só vejo uma autora que não quis adicionar um terceiro elemento ao enredo para criar o famoso triângulo amoroso e impossibilitar que sejam felizes antes do fim da série.
Muitos levarão esses pontos para o lado pessoal, o que só prova a capacidade da escritora em provocar sentimentos e sensações nos leitores.
Mesmo com essas instabilidades Veronica ostentou seu talento ao mascarar personalidades e consolidar o certo e o errado.

O encerramento de Insurgente deixou claro que esta série merece um lugar em sua estante, mais uma vez foi finalizado em um ponto crucial da história e agora só resta esperar por sua continuação.
Como já mencionado: “Uma leitura racional com o poder de despertar emoções e proporcionar discussões.”

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seu comentário é muito importante. ^^