terça-feira, 18 de junho de 2013

Resenha - Divergente

"Os seres humanos, de uma maneira geral, não conseguem ser bons por muito tempo antes que o mal penetre novamente entre nós e nos envenene."

Divergente
Autor: Veronica Roth
Editora: Rocco
Páginas: 502
Ano: 2012

Sinopse: 
Numa Chicago futurista, a sociedade se divide em cinco facções – Abnegação, Amizade, Audácia, Franqueza e Erudição – e não pertencer a nenhuma facção é como ser invisível. Beatrice cresceu na Abnegação, mas o teste de aptidão por que passam todos os jovens aos 16 anos, numa grande cerimônia de iniciação que determina a que grupo querem se unir para passar o resto de suas vidas, revela que ela é, na verdade, uma divergente, não respondendo às simulações conforme o previsto. A jovem deve então decidir entre ficar com sua família ou ser quem ela realmente é. E acaba fazendo uma escolha que surpreende a todos, inclusive a ela mesma, e que terá desdobramentos sobre sua vida, seu coração e até mesmo sobre a sociedade supostamente ideal em que vive.

Em uma sociedade fortalecida e organizada no sistema de estamentos (Abnegação, Amizade, Audácia, Erudição e Franqueza) a população sobrevive aparentemente em harmonia. Mas o sucesso e a falha desta sociedade está exatamente nesta divisão, pois cada facção possui seus ideais e funções, sendo que nenhuma interfere na outra e uma depende diretamente da outra para que a comunidade funcione. 
Quando uma fissura surge em um Estado que está estruturado em segredos, monopolização e a divisão do poder, conhecimento, habilidades e riqueza não são igualitárias, logo a inveja e sede de controle se instala, e o Estado começa ruir.

Como outras distopias uma escolha se faz pertinente para que questionamentos sejam levantados e para que aja uma mudança de cenário.
E é neste ambiente que acompanhamos a história de Tris, que tem sua vida, antes pacata, totalmente modificada por uma escolha. E com ela vamos participar ativamente dos regimentos e conflitos dessa sociedade.

Como deve ter ficado óbvio, Tris é divergente, e este primeiro livro da série exerce uma apresentação do tema e prepara a ambientação da história. Tornando assim, seu início mais explicativo do que prático, o que se faz pensar que não haverá um propósito fora do mundo da personagem principal, mas este é um ponto positivo da obra, pois existem diversos detalhes que devemos nos atentar antes de mergulhar com intensidade na vida dos personagens. 

Em primeira pessoa e no presente a narração ocorre de forma muito objetiva, quase robótica e com poucos detalhes, porém com o passar da leitura a autora assume um estilo e foca mais nos sentimentos e reflexos alheios e não somente nas ações pontuadas da protagonista.

Há problemas com a constituição da personagem principal que demonstra características psicológicas instáveis. Em momentos sua personalidade é forte e destemida e em outros, fraca e insensata. Assim como sua perspicácia que constantemente se altera entre altos e baixos. Diferentemente do personagem Quatro, que tem uma postura bem constituída e firme. Mas basta lembrar que a leitura discorre em primeira pessoa e só enxergamos Quatro pela visão da Tris, sendo que ele é um personagem misterioso e sua conduta difere dependendo da situação.
A dúvida que fica é, será que a autora se desconcentrou na criação de sua personagem principal ou esta instabilidade é proposital? Prefiro acreditar na segunda opção, já que esta seria uma ótima jogada manipuladora.

Outro ponto a ser observado são as características físicas de seus personagens, que, em nenhum instante se dizem bonitos ou perfeitos. Ao contrário, Tris é uma moça bem normal, quase estranha. Veronica deixa claro que esta peça não é fundamental para fazer os leitores se apaixonarem por seus personagens. O caráter, habilidades, inteligência são fatores suficientes para tal. 

Quando a leitura chega ao ápice a descrição também alcança seu auge. Os momentos de ação são descritos com o detalhamento necessário para uma visualização precisa.

Veronica Roth não chega a ser um George Martin, mas se mostra uma discípula promissora no quesito matar personagens. E esta, é uma estratégia inteligente, que faz despertar sentimentos no leitor, que o provoca e o instiga, além de deixá-lo com dúvidas e mostrar que não é necessário que um livro seja linear e “cor de rosa” para que seja bom.  

O livro ainda se mostra muito interessante por abordar temas mais complexos que os demais juvenis do estilo. O foco não é o romance ou problemáticas adolescentes, mas algo maior, como política, direitos, escolhas e demais fatores que englobam a constituição de uma sociedade. Ademais, existem temas implícitos como suicídio, estupro e abusos psicológicos.

Mesmo que seja raiva, impotência, ansiedade ou indignação, não há como negar que o livro desperta sentimentos e sensações no leitor. E só este fato já pontua esta obra como referência. 

Nem todos os questionamentos e mistérios são solucionados neste livro e seu final deixa um quê de quero mais.
Uma leitura racional com o poder de despertar emoções e proporcionar discussões.

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