quinta-feira, 23 de maio de 2013

Resenha - Um Anjo Burro

"Papai Noel levou a mão ao cinto largo e preto, puxou a arma e a apontou para a mulher. Ela se levantou brandindo a pá num arco, e a lâmina acertou com força a lateral da cabeça do Papai Noel, fazendo um barulho metálico ensurdecedor."

Um Anjo Burro
Autor: Christopher Moore
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 266
Ano: 2013


Sinopse: 
Charles Dickens é passado. Agora é a vez de Christopher Moore! O Natal mais hilário e horripilante da história. Após falar da juventude desregrada de Jesus em O Cordeiro, e de um funcionário da Morte em Um Trabalho Sujo, o cultuado Christopher Moore ataca agora a magia do Natal e o famoso arcanjo Raziel no hilário Um Anjo Burro.
Era noite, quase Natal, e todos em Pine Cove estão ocupados comprando, embrulhando e trocando presentes. Mas nem todos estão no clima para receber o bom velhinho. O pequeno Joshua Barker, de apenas sete anos, está desesperado: precisa de um verdadeiro milagre. Ele tem certeza de que viu o Papai Noel tomar uma pazada na cabeça e agora não faz outra coisa senão rezar para que ele volte dos mortos.

Alerta do autor:
Se você está comprando este livro como um presente para sua avó ou para uma criança, saiba que ele contém palavras de baixo calão, assim como descrições apetitosas de canibalismo e pessoas por volta dos 40 anos fazendo sexo. Não me culpe.
Eu avisei.

Com tiradas sarcásticas e um humor irreverente Christopher Moore apresenta um conto de natal em seu livro Um Anjo Burro. A pequena cidade de Pine Cove foi cenário de uma terrível tragédia e somente um milagre natalino poderá trazer paz aos seus moradores, ou assim pensava o Anjo.

Intencionalmente ou não, o autor não atém foco ao milagre e circula os personagens com histórias secundárias tão imprescindíveis quanto interessantes para o desfecho.
Não há indicação clara de um personagem principal, já que a atenção do narrador muda com rapidez de um para outro, o que não necessariamente gere problema, esse método só tornou a leitura mais dinâmica que o comum. 

Seus personagens com características psicológicas subjugando as físicas são intrínsecos, maduros e surpreendentes. No primeiro momento há de se achar que são peculiares e loucos, porém creio que estes são bem mais reais que os casais de adolescentes melosos tão repetidos nas atuais histórias. Moore permite que seus desejos e manias transpareçam sem culpa.

A descrição dos sentimentos também é um ponto interessante para análise, pois ela foi usada na sua forma mais direta e real, sem firulas para esconder o que um indivíduo sente, como por exemplo: “Ele não estava bravo, ele estava puto.”.

Apesar de estadunidense, Moore utilizou em diversos momentos uma descrição comparativa em sua obra, esta muito vista no típico humor inglês, e não só este como outros fatores contribuem para que sua escrita seja diferenciada, são eles o uso constante de pensamentos e a forte presença do narrador.

Quando um diálogo entre um ser humano e um animal surge aos olhos, é com tão bom desempenho que ele acontece que fica difícil de negar sua existência.

Mas não se deixe enganar por esta resenha, a história toda remete uma mistura de humor, realidade, fantasia, ficção científica e loucura. Não recomendo para conservadores, pois, como o próprio autor avisa, o livro contém palavras de baixo calão, zumbis e pessoas maduras fazendo sexo por diversão. 

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