segunda-feira, 8 de abril de 2013

Resenha - A Maldição do Tigre

"Eu não sabia se tigres podiam demonstrar emoções, mas por algum motivo eu tinha impressão de que podia sentir seu estado de espírito. Parecia melancólico."

A Maldição do Tigre
Autor: Collen Houck
Editora: Arqueiro
Páginas: 344
Ano: 2011


Sinopse: 
Kelsey Hayes perdeu os pais recentemente e precisa arranjar um emprego para custear a faculdade. Contratada por um circo, ela é arrebatada pela principal atração: um lindo tigre branco. Kelsey sente uma forte conexão com o misterioso animal de olhos azuis e, tocada por sua solidão, passa a maior parte do seu tempo livre ao lado dele. O que a jovem órfã ainda não sabe é que seu tigre Ren é na verdade Alagan Dhiren Rajaram, um príncipe indiano que foi amaldiçoado por um mago há mais de 300 anos, e que ela pode ser a única pessoa capaz de ajudá-lo a quebrar esse feitiço. Determinada a devolver a Ren sua humanidade, Kelsey embarca em uma perigosa jornada pela Índia, onde enfrenta forças sombrias, criaturas imortais e mundos místicos, tentando decifrar uma antiga profecia. Ao mesmo tempo, se apaixona perdidamente tanto pelo tigre quanto pelo homem.

Contratada temporariamente para trabalhar em um circo cuidando dos animais, Kelsey Hayes em pouco tempo estabelece um forte laço de amizade com um tigre branco, grande atração circense. Dhiren, o tigre, será transferido para uma reserva na Índia e Kelsey foi convidada a cuidar do seu bem estar durante a viagem. E é a partir deste momento que a aventura começa.

Seu início não é tão atrativo quanto o seu desenrolar, mas em nenhum instante foi desagradável entrar em contato com a história dos personagens principais. E a partir do momento que a ação se desencadeia, é impossível desprender-se da leitura.  Numa versão Indiana Jones sem conhecimentos geológicos e chicote, as aventuras são repletas de armadilhas, suspense, estratégias e mistérios.

Com exceção da narração praticada em primeira pessoa, a obra tem muito dos contos de Sherazade nas mil e uma noites; Além a aura magica que se mantém no ar, o romantismo, a maldição e o vilão impetuoso são exemplos dessa condição.
A peculiaridade deste livro está exatamente em sua constituição. Tendo a Índia como pano de fundo, a história se desenvolveu em torno do misticismo que existe neste local, com suas lendas, costumes e cultura sendo categoricamente explorados, assim como sua arquitetura afirmando presença constante neste livro.

O cenário muito imaginativo possui descrição com detalhes se contrapondo a exposição física dos personagens, que ficou remota com a descrição simplificada sendo, “Ele é tão lindo”.

O romance existente soa muito clichê, com o protagonista rico, protetor, lindo e dedicado, enquanto a mocinha insegura e desejada por todos os homens da face da terra complica a relação amorosa e explícita do par.
Com essa fórmula é praticamente óbvia a existência de um triângulo amoroso para esquentar as ações.

Os personagens possuem personalidades bem marcadas, porém de forma estereotipada, como por exemplo: o bad boy usa preto, é rebelde e atrai todas as menininhas. Ou seja, é com facilidade que separamos o joio do trigo, mas também é o que possibilita o leitor escolher seu personagem favorito.  

Kelsey é uma personagem ainda muito fraca e facilmente subjugada para competir com os demais. Contando que este é o primeiro livro da série, creio que seu amadurecimento vá acontecer em outro período.
Já um ponto favorável à Collen Houck é o ótimo trabalho que demonstrou na construção dos tigres, distinguindo solenemente a faceta felina da humana.  

Seguindo um caminho linear, a história é de fácil compreensão e o vocabulário apresentado não possui rebuscamento e sim objetividade, o que não o torna simples. Para muitos estes pontos podem ser considerados um defeito, o que para outros é sinônimo de qualidade. A escritora demonstrou equilíbrio.

Com aspecto de tarefas a serem realizadas, A Maldição do Tigre é uma obra extrovertida e atraente, que Collen finda com impacto e planta a semente da curiosidade para o próximo volume da série.

Livros com romances impossíveis, adolescentes e um “que” de sobrenatural existem aos montes no mercado editorial. Mas A Maldição do Tigre escapou dessa rotulação, exatamente por não se tratar de um simples sobrenatural e sim de algo mágico. A temática proporcionada se diferenciou das demais e se destacou.

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