segunda-feira, 4 de março de 2013

Resenha - Fios de Prata

"Ele se sentia como um sonhador insaciável em uma taberna surreal de imperfeição."

Fios de Prata
Autor: Raphael Draccon
Editora: Leya
Páginas: 352
Ano: 2012


Sinopse: 
Mikael Santiago realizou o sonho de milhares de garotos. Aos 22 anos era o jogador brasileiro com o passe mais caro da história do futebol. Mas à noite os sonhos o amendrontavam. Às vezes, o que está por trás de um simples sonho – ou pesadelo – é muito maior que um desejo inconsciente. Há séculos, Madelein, atual madrinha das nove filhas de Zeus, tornou-se senhora de um condado no Sonhar, responsável por estimular os sonhos despertos dos mortais. Uma jogada ambiciosa que acaba por iniciar uma guerra épica envolvendo os três deuses Morpheus, Phantasos e Phobetor, traz desordem a todo o planeta Terra e ameaça os fios de prata de mais de sete bilhões de sonhadores terrestres. Envolvido em meio a sonhos lúcidos e viagens astrais perigosas, a busca de Mikael pelo espírito da mulher amada, entretanto, torna-se peça fundamental em meio a uma guerra onírica. E coloca a prova sua promessa de ir até o inferno por sua amada.

Oi Pessoal,
Vagando entre sonhos e realidade está Mikael Santiago, jogador de futebol famoso, rico e com todos os objetivos de vida alcançados, exceto claro, pelas noites mal dormidas devido aos pesadelos escabrosos. Após iniciar um romance com a ginasta Ariana, se vê em meio a uma fantástica batalha de Deuses.

Uma escrita complexa e pesada compõe esta leitura. Em muitos períodos há repetição de argumentos, termos e palavras, como por exemplo, éter, onírico e efêmero. Compreendo que não existem muitos sinônimos que pudessem trabalhar como substitutos nestes casos, mas essa repetição tornou a leitura cansativa.

A história discorre lentamente e o excesso de pontuação final colabora nesse processo, mas essa situação só se faz um problema quando no grande momento de ação, faltou ação. Houve tantos preparativos e a cena foi tão elaborada que o desenrolar se alongou mais do que deveria e a sensação era infinita.

Ao se aproximar do ápice, o ponto de vista se divide entre os personagens principais, este método permitiu que o leitor estivesse presente nas cenas que ocorriam ao mesmo tempo. Sendo narrado em terceira pessoa desde o início, nesta etapa o narrador caminha no limiar do observador e do narrador onisciente.

Uma tática de escrita utilizada é a “visão”, quando o personagem viaja mentalmente para algum cenário e é altamente visualizável, acontece como em um filme, com flashs, pausas e câmera lenta, recurso que funcionou muito bem no contexto. 
Já uma falha de abordagem e que foi muito utilizado por Draccon, foram as frases de impacto, depois da quarta vez que são utilizadas, elas já não cumpriam mais o seu trabalho.

É explicito o trabalho de pesquisa envolto na criação de Fios de Prata, pois o autor demonstrou conhecimento em diversas culturas, como a japonesa, grega, celta, cristã, além da pop e de fatos contemporâneos.
O Livro é carregado de referências no campo das artes, como música e literatura. Um grande número de escritores é citado ao longo da história, em sua maioria os voltados para a fantasia. Particularmente senti falta de nomes não tão conhecidos aqui no Brasil, mas que formam a família da literatura fantástica.

Com certa periodicidade fatos jornalísticos reais são citados no livro, mas estes não estão simplesmente jogados, nem são aleatórios, eles se entrelaçam com o enredo e realmente participam da história.

Todas as descrições são minimamente detalhadas, o que torna o cenário definido e palpável. E foi com excelência que os dois planos (realidade e mundo etéreo) foram interligados.

O romance é um fator que desencadeia as ações na história, porém como um livro de fantasia, este não foi devidamente explorado, mas creio que as pessoas que se interessam por este gênero não se incomodarão.

Este livro merece atenção pela sua inventividade. Como se Draccon simplesmente tivesse resolvido juntar elementos distintos para criar esta obra, e no final todos os componentes se complementaram. Esta é uma credibilidade a ser dada a Draccon, sua obra transmite sensações e não é apática.

Uma narrativa surpreendente te espera nestas páginas. O que faz de Raphael Draccon o escritor ficcional nacional mais visado da atualidade? A resposta para esta pergunta está em Fios de Prata.

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