quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Resenha - Os Deixados para Trás

"...era natural ficar nostálgica naquela época do ano, que era semelhante à dor que as pessoas amputadas sentiam no membro que já não existia."

Os Deixados para Trás 
Autor: Tom Perrotta
Editora: Intrínseca
Páginas: 320
Ano: 2012


Sinopse: 
O que aconteceria se, de repente, sem nenhuma explicação, pessoas simplesmente desaparecessem, sumissem no ar? É o que os perplexos moradores de Mapleton, que perderam muitos vizinhos, amigos e companheiros no evento conhecido como Partida Repentina, precisam descobrir. Desde o ocorrido nada mais está do mesmo jeito — nem casamentos, nem amizades, nem mesmo o relacionamento entre pais e filhos. O prefeito da cidade, Kevin Garvey, quer acelerar o processo de cura, trazer um sentimento de esperanças renovadas e propósito para sua comunidade traumatizada. Ainda que sua família tenha sido desfeita com o desastre: sua esposa o deixou para se juntar a um culto cujos membros fazem voto de silêncio; seu filho, Tom, abandonou a faculdade para seguir um profeta duvidoso chamado Santo Wayne; e sua filha adolescente, Jill, não é mais a dócil estudante nota dez que costumava ser. Em meio a tudo isso, Kevin ainda se vê envolvido com Nora Durst, uma mulher que perdeu toda a sua família no 14 de Outubro e continua chocada com a tragédia, apesar de se esforçar para seguir adiante e recomeçar a vida. Com emoção, inteligência e uma rara habilidade para enfatizar os problemas inerentes à vida comum, Tom Perrotta escreve um romance impressionante e provocativo sobre amor, conexão e perda. 

Oi Pessoal,

Este não é um mundo cor de rosa e belo que o vilão chega para desconstruir, aqui existem seres humanos, criaturas que não conseguimos prever e deter as ações. Seres humanos não são felizes e realizados o tempo todo, são mal educados, mal humorados e capazes de atitudes impensadas. Este é o mundo real, o mundo que Perrotta descreveu em Os Deixados para Trás.

Imagine se de repente seu amigo, namorado ou parente sumisse junto com outras pessoas do mundo, mas não que ele tenha feito às malas e saído pela porta; Não. Ele simplesmente desapareceu (puf) na sua frente e ninguém sabe ou consegue explicar o que aconteceu e para onde foram. Se foi poder divino ou não.
Mas a questão aqui discutida não é essa, a questão é: o que aconteceu com os que ficaram para trás? Como será o futuro, tendo que conviver com a saudade dos que se foram sem explicação?

O fenômeno do puf é denominado arrebatamento - termo religioso - porém os que foram levados não eram exatamente pessoas religiosas, comportadas e santas. O que ou quem os levou não fez diferença de idade, religião, cor ou crença.

Perrotta mostra como as pessoas podem ficar vulneráveis, como a loucura atinge cada um e com uma intensidade diferente. Toca em feridas e conta sobre os estragos que podem ocorrer com uma sociedade abandonada à própria mercê. Sem esperanças e com medo.
Ele realizou um estudo psicológico e profundo dos sentimentos humanos ao longo da trama.

As pessoas tentam continuar a viver como se a fatalidade fosse totalmente natural, outras tentam esquecer recorrendo às drogas e/ou álcool, outras ainda querem curar as dores com a religião e a terapia.

As histórias acontecem quase como esquetes, gradativamente elas se interligam direta ou indiretamente, outras ficam subentendidas que um dia se cruzarão.
Em cada capítulo um personagem toma a visão e narra os acontecimentos.

O livro não possui nada em especial, não tem heróis e monstros, e apesar de existir um mistério não existe alguém que o vá desvendar. O livro gira em torno de pessoas totalmente comuns que vivenciam problemas do dia a dia.

Os Deixados para Trás não é uma leitura fácil nem simples. Sua escrita é informal, mas a história é pesada, no sentindo de que para muitos não será instigante. Esta é uma leitura para “abrir os olhos”, olhos críticos, não para descontração.

Ao final de um dia como outro qualquer o livro deixou um gosto por saber como a vida daquelas pessoas que habitam suas páginas teria continuado.

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