quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Resenha - Delírio

"É o mais mortal entre todos os males: você pode morrer de amor ou da falta dele."

Delírio 
Autor: Lauren Oliver 
Editora: Intrínseca
Páginas: 352
Ano: 2012
Resenha por: Laís Rodrigues

Sinopse: 
 Muito tempo atrás, não se sabia que o amor é a pior de todas as doenças. Uma vez instalado na corrente sanguínea, não há como contê-lo. Agora a realidade é outra. A ciência já é capaz de erradicá-lo, e o governo obriga que todos os cidadãos sejam curados ao completar dezoito anos. Lena Haloway está entre os jovens que esperam ansiosamente esse dia. Viver sem a doença é viver sem dor: sem arrebatamento, sem euforia, com tranquilidade e segurança. Depois de curada, ela será encaminhada pelo governo para uma faculdade e um marido lhe será designado. Ela nunca mais precisará se preocupar com o passado que assombra sua família. Lena tem plena confiança de que as imposições das autoridades, como a intervenção cirúrgica, o toque de recolher e as patrulhas-surpresa pela cidade, existem para proteger as pessoas. Faltando apenas algumas semanas para o tratamento, porém, o impensado acontece: Lena se apaixona. Os sintomas são bastante conhecidos, não há como se enganar — mas, depois de experimentá-los, ela ainda escolheria a cura?

Delírio retrata uma sociedade distópica na qual o amor é tido como uma doença, mais precisamente Amor Delíria Nervosa. A autora cria um mundo onde todos são curados do amor ao completarem 18 anos, passando por uma intervenção cirúrgica e se tornando incapazes de amar, tendo assim uma vida feliz e sem preocupações.

É dessa forma que a sociedade vive: tudo gira em torno de curar, proibir e erradicar o amor completamente. Antes da intervenção, todas as pessoas passam por avaliações psicológicas, são pareadas com alguém de mesmo nível intelectual e social e são determinados quantos filhos esse casal deverá ter. Porém, como todo sistema tem suas falhas, existem pessoas que não passaram pela intervenção, fugiram antes dela ou simplesmente a intervenção não funcionou, criando seres chamados de inválidos. Essas pessoas vivem à margem da sociedade e escondidas na Selva que o governo teima em fingir que não existe. Elas são livres para o amor e para a vida, não obedecem às regras do governo, mas também são privadas dos seus direitos.

A personagem principal da trama é Lena, uma jovem de 17 anos que vive em Portland – EUA e está prestes a passar por sua intervenção assim que completar 18 anos. Ela tem como característica principal ser extremamente medrosa e não vê a hora de poder se livrar da possibilidade de ficar doente, até o momento em que ela conhece Alex.

O livro está em primeira pessoa, fazendo com que o cenário e a percepção das pessoas sejam totalmente ligados aos sentimentos de Lena. Ela descreve as demais personagens com características psicológicas fortes (embora os curados parecessem sempre estar em um transe ou como se tivessem uma barreira intransponível na sua frente), sendo que cada um tinha um aspecto muito marcante, desde a sua melhor amiga, a efusiva Hana, até sua tia Carol totalmente apática.

O livro começa de forma muito interessante e o texto flui tranquilamente, possuindo uma linguagem simples e que prende o leitor. Particularmente, eu tive picos de interesse pelo livro, uma vez que ele começou muito bem e no meio ficou extremamente previsível. Porém, quando eu estava perdendo o interesse, houve uma reviravolta absurda que me fez querer que ele não acabasse tão rápido.  

Uma das coisas mais interessantes é que ao longo do livro os personagens realmente temiam o amor, tanto que Romeu e Julieta é ensinado na escola como um conto de alerta, mostrando o que as pessoas são capazes de fazer por amor, podendo até se matar. A felicidade extrema, a distração, os devaneios e a falta de fome causada pela paixão são rigorosamente controlados como sintomas de algo extremamente contagioso.

A autora explorou um tema delicado e que nos faz refletir sobre como seria a vida sem amor. Como seria a vida se tudo fosse perfeito e sem percalços. Uma vida em que não precisaríamos chorar por alguém; Amores platônicos e não correspondidos não existiriam, a pessoa com quem você dividiria todos os seus dias seria escolhida pelo governo e não por você, não existiriam brigas de casais e tão pouco beijos apaixonados debaixo da chuva.
E você, conseguiria viver sem amor?

Laís Rodrigues

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