sábado, 20 de outubro de 2012

Resenha - Garotas de Vidro

"Eu sou brilhante e rosa por dentro, limpa. O vazio é bom. O vazio é forte."

Garotas de Vidro
Autor: Laurie Halse Anderson
Editora: Novo Conceito
Páginas: 283
Ano: 2012
Resenha por: Laís Rodrigues

Sinopse: “Lia e Cassie são amigas há anos, ambas congeladas em seus corpos. No entanto, em uma manhã, Lia acorda com a notícia de que Cassie está morta, e as circunstâncias de sua morte ainda são um mistério. Não bastasse isso, Cassie tentara falar com Lia momentos antes, para pedir ajuda. Lia tem de lidar com o pai, que é um renomado escritor, sua madrasta e a mãe, uma cardiologista que vive ocupada, salvando a vida dos outros. Contudo, seu maior tormento é a voz dentro de si mesma, que não a deixa se esquecer de manter o controle, continuar forte e perder mais, sempre perder mais, e pesar menos. Bem menos.”

Lia é uma garota de 18 anos normalanoréxica.  Quando sua melhor amiga Cassie falece, Lia entra em colapso permanece forte, muito forte. Ela é gorda, muito gorda, com os seus 43 quilos e costelas salientes. Seus dias não podem ultrapassar 500 calorias e se completam com centenas de abdominais ou 3 horas na máquina de step durante a madrugada, quando sua família não a vê. Essa é a forma com a qual ela lida com seus problemas: pais divorciados, ausentes, autoritários e melhor amiga morta.

Ao longo do livro, a personagem principal se esforça para se manter em pé com o mínimo de comida possível. O mais incrível é o fato do distúrbio de Lia não ser relacionado à ditadura da magreza que vivemos atualmente, acaba sendo simplesmente uma forma de externalizar seu sofrimento. Ela é o tipo de pessoa que quase não chora, engole as coisas ruins e se mantém firme e em pé, com toda a tristeza, raiva e ódio escondidos debaixo de suas costelas.

Um fato interessante na edição é que tudo pensado e não dito pela personagem é tachado e todos os alimentos que ela come ou poderia comer são seguidos por suas calorias entre parênteses.

A morte abraça todas as palavras e se desenrola por entre as páginas, permeando cada capítulo, cada frase. O livro é pesado, tenso, angustiante e ao mesmo tempo é impossível parar de lê-lo. Ele me envolveu de tal forma que eu sentia vontade de enfiar um punhado de bacon garganta abaixo da personagem principal só pra vê-la engordar um pouco.

Laurie Halse Anderson descreve a vida de uma garota com distúrbios alimentares de uma forma tão intensa e real a ponto de nos fazer sofrer com o livro. A autora entende de uma forma única como alguém naquelas condições pensa e se comporta. Sinceramente, isso me fez pensar que a própria já teve algum tipo de distúrbio ou a pesquisa foi muito bem feita, pois a descrição chega a ser assustadora.

O livro tem o poder de nos fazer mergulhar fundo na história e entrar na pele da personagem principal. Após longas leituras, chegava a ter dor de estômago, mas ainda assim não conseguia largá-lo. Pessoalmente, foi uma experiência incrível em um curto espaço de tempo, em apenas 272 páginas. 


Laís Rodrigues

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