quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Resenha - A Culpa é das Estrelas

"- Às vezes as pessoas não tem noção das promessas que estão fazendo no momento que as fazem."

A Culpa é das Estrelas
Autor: John Green
Editora: Intrínseca
Páginas: 283
Ano: 2012

Sinopse: Em A Culpa é das Estrelas, Hazel é uma paciente terminal de 16 anos que tem câncer desde os 13. Ainda que, por um milagre da medicina, seu tumor tenha encolhido bastante — o que lhe dá a promessa de viver mais alguns anos —, o último capítulo de sua história foi escrito no momento do diagnóstico. Mas em todo bom enredo há uma reviravolta, e a de Hazel se chama Augustus Waters, um garoto bonito que certo dia aparece no Grupo de Apoio a Crianças com Câncer. Juntos, os dois vão preencher o pequeno infinito das páginas em branco de suas vidas.

Oi Pessoal,

Como um livro tão pequeno pode ser tão completo? Essa é uma pergunta que me rodeia enquanto escrevo esta resenha. Johh Green usou seu talento para tornar um tema frágil em algo muito forte.

Narrado sob o ponto de vista da personagem Hazel, A Culpa é das Estrelas usa o sarcasmo e a ironia como pontos chaves da escrita e ao contrário do que muitos apontam, não afirmo que esta seja uma leitura leve. A existência da diversão nas palavras não é sinônimo de leveza.  A diversão contida neste livro é sádica, claro que caso não haja envolvimento do leitor isso passa despercebido, mas basta uma visão mais atenta para notar as nuances.

Este livro é belo. Não pelos motivos doces de um romance ou um de “Felizes Para Sempre”, mas por ser natural e palpável, com realidade.
As pessoas não são perfeitas, doenças existem e pessoas morrem. Mas Jonh Green não é cruel nas suas linhas, o livro é permeado de tiradas engraçadas e inteligentes.

Hazel Grace é um efeito colateral do câncer, possui pulmões que não querem se comportar normalmente como qualquer outro e transporta consigo um cilindro de oxigênio, o que pode causar privilégios ou asco. Após encontrar Augustus Waters, (rapaz que não possui um dos membros inferiores) reativa sua vontade de se manter viva e junto a ele preenchem o vazio causado por suas enfermidades.  

Os personagens possuem um caráter psicológico bem elevado e detalhado sem que o autor precise descrever sobre suas personalidades. Os diálogos falam por si só.
As demais descrições ocorrem de forma natural, sem excessos e tanto o cenário como os personagens são visualizáveis sem esforço.

John mostra como as reações para um mesmo problema podem ser diversas, como as pessoas podem ser cruéis, sensíveis, indiferentes ou influenciáveis.
A Culpa é das Estrelas me lembrou o filme Inquietos, que também conta a história de uma garota com câncer terminal que encontra um rapaz e um salva o outro dos próprios males.

Um fato peculiar que circunda o livro é o de Hazel ter um escritor como ídolo e este é autor de um livro sobre uma garota com câncer, porém este livro não tem final, parou de ser escrito no meio de uma frase. E o que importa não é saber o que aconteceu com a garota porque ela provavelmente morreu. Mas sim com os que ficaram. O que aconteceu? É peculiar porque John Green te dá espaço para pensar nos demais personagens e ficar com esta dúvida quando o livro chegar ao fim. O que acontece depois que o livro acaba? O Sentimento que fica é o desejo de continuar a ler a história.

Não é um romance ou uma aventura. Não tem necessariamente um começo ou fim. Ela já tem câncer e o livro continua sem que tenham que derrotar o mal ou tenham que ficar juntos para que o livro acabe. Isso o torna um livro fantástico. Ele não precisa de um mistério ou uma desculpa para acontecer. Ele possui poder de envolver e gerar cumplicidade com o leitor.

Intenso, melancólico, complexo e pelas palavras de Markus Zusak “Você vai rir, vai chorar e ainda vai querer mais.”.

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