quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Resenha - Ladrão de Olhos

" ...qualquer relacionamento que não começasse com um ou dois socos acabava desbotando com o tempo; É fato conhecido que briga origina amizade."

Ladrão de Olhos
Autor: Jonathan Auxier
Editora: Leya
Páginas: 424
Ano: 2012


Sinopse: 
Para vocês que não conhecem nada sobre crianças cegas, saibam que dão os melhores ladrões. O que o destino reserva a uma criança cega e órfã, que usa seus dotes para roubar todo tipo de objeto de qualquer tipo de pessoa? Uma criança que dorme em um porão escuro e frio durante o dia e é obrigada a sair furtivamente à noite para cometer seus delitos e, assim, sobreviver? O que o destino reserva a um garoto de dez anos que já é considerado o maior ladrão que já nasceu? O destino, caro leitor, reserva a essa pobre criatura três olhos mágicos, que irão levá-lo a uma viagem inesquecível, na qual inimigos e estranhas criaturas estarão à espreita em lugares completamente deslumbrantes e magníficos! O destino lhe reserva um amigo que estará por perto sempre que precisar e aventuras que farão de Peter Nimble, o órfão, o cego, o pobre coitado, um dos maiores heróis que já existiu! 


Oi Pessoal,
Este é um livro cheio de agradáveis surpresas. O autor se ateve aos detalhes para criar um aspecto diferente em sua obra, algo que não seguisse os padrões dos livros juvenis.
O Ladrão de Olhos conta a história de Peter Nimble, um garoto cego e órfão que aprendeu a sobreviver no mundo do crime. Quando rouba uma caixa com olhos mágicos é levado a protagonizar uma aventura com o apoio de seu amigo Sir Tode, uma bizarra criatura do mundo antigo, mistura de homem, cavalo e gato.

Mocinho ou vilão? Em um nível pequeno Peter é um personagem ambíguo, pois é apresentada uma razão por ele ter se transformado em um ladrão, tornando-o uma espécie de Robin Hood, um ladrão com boas intenções, no seu caso, pura necessidade de sobrevivência. O autor encobriu seus atos e o mostrou como um explorado. Contudo, não há como não se cativar por Peter, um garoto esperto que apesar de muitas dificuldades não se tornou amargo.

O livro é dividido em três partes: ouro, ônix e esmeralda, sendo cada parte uma etapa da aventura a ser concluída. Método que proporcionou expectativa durante a leitura, pois as dificuldades aumentavam e curiosidade era instigada.

Nos momentos que a perspectiva está voltada para Peter a descrição tem uma decaída, mas vale lembrar que o protagonista tem deficiência visual, portanto as descrições pairam mais entre cheiros e texturas do que formas. Mas em geral, ocorre em boa medida, sem exageros.

Um dos diferenciais dessa leitura é a narração, que se transformou em um elemento importantíssimo do livro. O Narrador não é passível, ele interage o tempo todo com o leitor, informando e questionando-o, além de possuir um tom cômico e em alguns momentos até sádico.

Os nomes não foram traduzidos e isso se deve muito à colaboração da Editora. Esta tática funcionou muito bem, porque os nomes dos ladrões remetem sua profissão como Peter Nimble (Peter Mão Leve) ou Patch (Improviso) sonoridade bem melhor no original e fica como mais uma descoberta.

A amizade é uns dos temas contidos nesta trama e é escrita da maneira mais pura que poderia ser, com companheirismo, inocência, apoio e sacrifício. Embora esta amizade passe por provações, eles mostraram que algumas coisas simplesmente valem a pena ser feitas.

Uma fantasia com pitada de fábula, assim eu definiria o Ladrão de Olhos, onde mensagens de superação e amizade são transmitidas e a grande moral da história consiste na importância da essência de cada individuo, ninguém deve ser julgado por sua aparência e sim por suas atitudes. 


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