segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Resenha - O Diário de Anne Frank

"Quando escrevo, sinto um alívio, a minha dor desaparece, a coragem volta. Mas pergunto-me: escreverei alguma vez coisa de importância?"

O Diário de Anne Frank
Autor: Anne Frank - Editado por Otto Frank
Editora: Record
Páginas: 352
Ano: 1974
Resenha por: Laís Rodrigues

Sinopse: 
12 de junho de 1942 - 1° de agosto de 1944. Ao longo deste período, a jovem Anne Frank escreveu em seu diário toda a tensão que a família Frank sofreu durante a Segunda Guerra Mundial. Ao fim de muitos dias de silêncio e medo aterrorizante, eles foram descobertos pelos nazistas e deportados para campos de concentração. Anne inicialmente seguiu para Auschwitz e mais tarde para Bergen-Belsen.

Não se trata apenas de um registro histórico da Segunda Guerra, mas também é a prova de que perdemos uma grandiosa escritora.

Annelies Marie Frank era uma jovem judia alemã que, ao completar 13 anos, ganhou de presente um diário, o qual se tornou seu melhor amigo e confidente, nomeado por ela de Kitty.

Pouco tempo depois de ganhar seu diário, sua família muda-se para ‘O Anexo’. O Anexo era um esconderijo nos fundos da empresa de Otto Frank, pai de Anne, que ficava localizado na Holanda. Lá viviam a família de Anne, os Van Daan (outra família à qual Anne deu esse apelido) e um dentista, todos judeus, onde permaneceram por dois anos convivendo um com o outro e, acima de tudo, sobrevivendo. Eram ajudados por Miep, a secretária de Otto e pessoa de confiança, que trazia mantimentos, remédios, dinheiro, notícias e alegria para as pessoas daquele esconderijo. Tudo tinha seu horário certo por conta da necessidade de fazer o mínimo barulho possível; cada respiração mais alta era motivo para olhares feios e cada passo dado e rangido do assoalho era seguido de um frio na espinha e o medo de serem descobertos.

Ela retrata seus dias, angústias, medos e paixões. Em dois anos de escritos no diário podemos ver Anne passar de menina a mulher. Aquele seu jeito curioso e petulante parecido com o de Emília de Monteiro Lobato, dá lugar a uma mulher de gênio forte e indomável que em plenos anos 40 já sabia que queria se tornar jornalista ao crescer e não ficar cuidando de uma casa, a exemplo de sua mãe.

Por incrível que pareça, o diário não fala muito sobre os conflitos da guerra, o que se deu por vários motivos: o rádio do Anexo somente pegava uma estação inglesa, as pessoas do Anexo não gostavam de saber as notícias sobre a guerra e todos, sem exceção, pegaram um grande ódio de sua pátria por estar cometendo atos tão cruéis e incompreensíveis.

Apesar de escrito por uma menina de 14 anos, a leitura flui naturalmente e tem uma linguagem de fácil compreensão, nos deixando com vontade de ler mais.

Após dois anos no Anexo, alguém (até hoje não se sabe quem) denunciou a família e todos foram separados e levados a campos de concentração. Somente Otto Frank sobreviveu, publicando o diário de sua filha após muitos pedidos.

Anne faleceu no campo de concentração Bergen-Belsen em 1945, seis meses antes do fim da guerra, deixando não só um registro histórico da Segunda Guerra, mas também os anseios e sonhos de uma menina-mulher que poderia ter sido uma grande escritora.

Laís Rodrigues

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