quinta-feira, 28 de junho de 2012

Resenha - No Jardim das Feras

"Todos se levantaram de um pulo, como eletrizados - observou um repórter suíço - e todos os alemães, incluindo o juiz, ergueram o braço para fazer a saudação de Hitler."

No Jardim das Feras 
Autor: Erik Larson 
Editora: Intrínseca
Páginas: 488
Ano: 2012
Resenha por: Laís Rodrigues

Sinopse: 
 De forma inesperada, o professor William E. Dodd, da Universidade de Chicago, é convidado para assumir a embaixada dos Estados Unidos na Alemanha em 1933. Junto com a esposa e os dois filhos adultos, ele parte para Berlim, decidido a manter-se neutro em relação ao governo de Adolf Hitler. A animada vida social e o charme dos homens do Terceiro Reich a princípio encantam sua jovem filha Martha. Mas o deslumbramento não dura. Com o tempo, a família Dodd testemunha a crescente perseguição aos judeus, a censura à imprensa e a implantação de assustadoras leis. Em No Jardim das Feras, o escritor Erik Larson reconstitui o ambiente cada vez mais opressivo de Berlim pela perspectiva dos Dodd - registrada em cartas, diários e documentos - e revela uma era de surpreendentes nuances e complexidades.

Erik Larson ousou ao vasculhar uma história com final triste e conhecida mundialmente e nessa ousadia, o autor acertou em cheio!

No Jardim das Feras retrata a história de Dodd, um pacato professor americano de uma universidade em Chicago, que foi convocado para ser embaixador do consulado americano em Berlim, mais especificamente em 1930, ou seja, quando Hitler acaba de se tornar chanceler da Alemanha.

Havia pressão exercida sobre Dodd por todos os lados, como se ele pudesse modificar a cabeça de um homem que já tinha um ideal em mente. Um dos pontos mais interessantes na história é que, mesmo como embaixador dos EUA, Dodd era tão insignificante quanto aquele primo mais novo que damos o controle quebrado do videogame só para ele parar de encher!

Outra personagem importante na narrativa é sua filha Martha, uma mulher interessante, sábia e ao mesmo tempo inocente, que se relaciona com os mais diversos tipos de homens à sua volta: americanos, nazistas, comunistas, russos, italianos, muitas vezes com mais de um ao mesmo tempo (moça moderna, não?!). Apesar de sua vasta experiência e de ouvir muitos discursos de todos os lados, Martha acreditava que o ideal nazista era parte de uma revolução alemã que poderia construir um país melhor. Aliás, muitas pessoas ao longo da narrativa partilhavam da mesma opinião, afinal, ninguém sabia qual seria o final da história.

O livro se desenrola com uma tensão a ponto de acharmos que o final poderia ser diferente, na realidade torcendo para que fosse. Toda essa tensão pré Segunda Guerra Mundial é esmiuçada em citações de vários diários dos mais diversos autores dessa história. Há tantas citações que no final do livro há mais de 30 páginas referenciando cada uma delas.

Para os amantes de histórias sobre a Segunda Guerra Mundial é leitura recomendadíssima, praticamente obrigatória! O livro nos permite ter visões diferentes sobre vários pontos da História, revelando fatos antes desconhecidos ou abafados pelo tempo. Erik Larson nos mostrou que não foi só Hitler ou a Alemanha nazista os vilões, mas sim um apanhado de nações e emaranhados de interesses que foram responsáveis pela morte de milhões de pessoas.



Laís Rodrigues

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