terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Resenha - O Nome do Vento

"Meu nome é Kvothe, com pronúncia semelhante à 'Kuouth'. Os nomes são importantes, porque dizem muito sobre as pessoas. Já tive mais nomes do que alguém tem o direito de possuir."


O Nome do Vento - A Crônica do Matador de Rei
Autor: Patrick Rothfuss
Editora: Arqueiro
Páginas: 656
Ano: 
2009


Sinopse: 
Ninguém sabe ao certo quem é o herói ou o vilão desse fascinante universo criado por Patrick Rothfuss. Na realidade, essas duas figuras se concentram em Kote, um homem enigmático que se esconde sob a identidade de proprietário da hospedaria Marco do Percurso.
Da infância numa trupe de artistas itinerantes, passando pelos anos vividos numa cidade hostil e pelo esforço para ingressar na escola de magia, O nome do vento acompanha a trajetória de Kote e as duas forças que movem sua vida: o desejo de aprender o mistério por trás da arte de nomear as coisas e a necessidade de reunir informações sobre o Chandriano - os lendários demônios que assassinaram sua família no passado.
Quando esses seres do mal reaparecem na cidade, um cronista suspeita de que o misterioso Kote seja o personagem principal de diversas histórias que rondam a região e decide aproximar-se dele para descobrir a verdade.
Pouco a pouco, a história de Kote vai sendo revelada, assim como sua multifacetada personalidade - notório mago, esmerado ladrão, amante viril, herói salvador, músico magistral, assassino infame.
Nesta provocante narrativa, o leitor é transportado para um mundo fantástico, repleto de mitos e seres fabulosos, heróis e vilões, ladrões e trovadores, amor e ódio, paixão e vingança.

Oi Pessoal,
Se você leu minha resenha da Guerra dos Tronos, percebeu o conflito que vivenciei ao me deparar com um autor, que escrevia fantasia de uma forma tão esplendida quanto meu autor favorito (Tolkien). Bom, O Nome do vento quebrou meus paradigmas. Ao mesmo tempo em que este livro me fez perder o norte, ele abriu novas portas para o mundo da fantasia. Patrick Rothfuss criou um novo conceito para Fantasia.

Um mês, foi o tempo que levei para fazer esta resenha que você esta lendo, pois não encontrava as palavras certas para poder descrever esta obra genial que é O Nome do Vento. Assim começo, sem saber se vou conseguir achar adjetivos compatíveis à tamanha grandiosidade.

Como o próprio autor conta, ele é fã da literatura fantástica, ou seja, sabe bem onde está pisando, e após anos lendo sobre o assunto, decidiu criar um mundo diferente, sair das linhas elfo bonito, anão brucutu, homem guerreiro, orc malvado e vamos fazer uma campanha.

Criou um mundo com sistema monetário, economia, arquitetura e calendário próprio. Estabeleceu culturas, comportamentos, religiões e idiomas diferentes para cada região dos Quatro Cantos da Civilização. Escreveu músicas, poesias e peças teatrais. Deu vida a seres sobrenaturais, nunca se esquecendo de descrevê-los com detalhes.

O livro começa com narração em terceira pessoa, característica que remete ao tempo real. Com o surgimento de um personagem, denominado Cronista na hospedaria Marco do Percurso (pertencente à Kvothe, personagem central), a história passa para narração em primeira pessoa, sendo essa passagem tão sutil que quase não é percebida.
Kvothe conta sua história desde sua infância e como constituiu seu intenso relacionamento com a música, detalha o tempo em que esteve na universidade e como conquistou tantos nomes: o Matador do Rei, o Sem-Sangue, o Arcano, Seis-Cordas, E’lir dentre outros.

Kvothe narra com tanta calma e descreve com tanta destreza, que faz o leitor se sentir a vontade, como se estivesse sentado ao seu lado na hospedaria ouvindo suas histórias, sendo embalado pela música. E nesse ritmo eu me apaixonei e fiquei totalmente presa ao livro.

Mas não pense que Kvothe é um herói, muito pelo contrario, ele já fez coisas terríveis e por mais confortável que seja a narrativa, os momentos de tensão conseguem te deixar muito perturbado. Compartilhamos de toda insensatez de Kvothe.

Patrick fez sua primeira obra com maestria e acima de tudo calma. Com todos os detalhes produziu um livro para ser chamado de épico. Todos os personagens têm personalidades bem marcadas e diferentes uma das outras, a magia utilizada pelos Arcanos é mais fundamentada que fantasiosa, me lembrou Full Metal Alchemist – com uma troca equivalente.
E por um acaso encontrei nas suas linhas um pouco da essência de Terry Pratchett, e claro, fiz uma busca e confirmei que o autor favorito de Patrick é o Terry.

Essa é uma história sobre família, amor, conhecimento, conquistas, amizade e vingança. O Nome do Vento é daqueles livros que te faz ter vontade de gritar, chorar e amar. Emocionante, envolvente e mágico.


"Precisava fazê-los saber que não podem me ferir. Aprendi que a melhor maneira de a pessoa ficar segura é deixar os inimigos cientes de que não podem feri-la."

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seu comentário é muito importante. ^^